Bienal de Arquitetura Brasileira

A BAB (1ª Bienal de Arquitetura Brasileira), teve como objetivo democratizar o acesso e trazer o lado mais cultural da arquitetura e menos técnico, explorando toda a pluralidade do Brasil por meio de uma divisão por biomas e 27 residências cada uma representando um estado do Brasil (e o DF). 

Nós podemos dizer de antemão que o objetivo deles foi atingido com sucesso, pois pudemos ver com riqueza de detalhes de cada ambiente, como tudo foi pensado com muita coesão e cuidado. 

Vimos muitos elementos em comum em vários deles, como cobogós (presentes em quase todas as casas da mostra), madeira, técnicas têxteis, cerâmica aplicada de diferentes formas (vasos, pratos, louças, decorações), caquinhos, ladrilhos hidráulicos, palhinha, tudo que amamos dentro dos elementos da nossa brasilidade múltipla.

Dito tudo isso, fizemos uma curadoria dos espaços, selecionando nossos favoritos para trazer um pedacinho dessa experiência pra quem nos acompanha através dos nossos olhos!

A Casa que Dança, Boscardini Corsi. Bioma: Mata Atlântica 

Ela foi inspirada nas raízes modernistas do estado do Paraná, o conceito dos arquitetos foi fazer uma casa que apresentasse mudança/evolução temporal e isso é representado lindamente pela escolha de materiais que permanecem independente dessas mudanças, como o mármore, por exemplo.

Casa Corcovado, Paula Martins Arquitetura. Bioma: Mata Atlântica

São inúmeros os elementos desse projeto que encantam, o fato de que quando entramos nele, ele nos conta logo de cara “Eu sou do Rio!”, uma personalidade dada ao ambiente que se dá pela soma de detalhes muito sensíveis presentes na escolha de peças de mobíliario, decoração, arte, revestimentos, todas contando uma história e uma narrativa em suas texturas e cores marcantes. Tudo só faz mais sentido ainda quando descobrimos que o conceito do qual a arquiteta partiu foi: Um apartamento de cariocas fora do RJ, de uma forma que se sentissem o mais em casa possível.

É curioso como a Casa Corcovado e a Casa que Dança representam a Mata Atlântica de formas tão diferentes, uma mais maximalista e a outra mais modernista, é possível ver claramente como nosso país é diverso e lindo de várias maneiras.

Casa Empate Mulheres Seringueiras, Marcelo Rosenbaum e Marlúcia Cândida. Bioma: Amazônia

A Casa não só é uma leitura do estado do Acre, mas uma homenagem às seringueiras que em movimentos intitulados “empates” se colocavam à frente junto às crianças, para impedir (empatar) um conflito maior, em prol de se manterem em seus territórios.

Toda a linguagem visual utilizada na casa, traduz o modo de viver da população seringueira, em sua materialidade, texturas, objetos, mobiliários e cores. Uma forma belíssima de honrar a história através da arquitetura.

Casa Terra, Rubatino Arquitetura. Bioma: Amazônia

O projeto leva um nome que homenageia o Instituto Terra, fundado por Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado, o tema não poderia ser mais certeiro quando falamos de um bioma como a Amazônia, já que o casal tem um legado ambiental fortíssimo.

Os ambientes dessa casa se destacam com uma casualidade imersiva, onde encontramos pontos de diálogo com a história do bioma e a trajetória profissional de Salgado, um desbravador do mundo com suas fotografias e uma pessoa que em si já era uma coleção de culturas e símbolos. Tudo isso representado através de tons escuros, ambientes intimistas e acolhedores com muito material de origem natural, como fibras, madeira e barro.

Modernismo Habitado, Debaixo do Bloco. Bioma: Cerrado

O projeto tem a raiz do modernismo da arquitetura Brasiliense como uma raiz, é possível identificar assim que entramos, através de uma obra de Tarsila do Amaral que abraça o hall, que o que veremos no espaço é a representação do modernismo em sua mais pura forma, a presença forte do concreto se suaviza com a delicadeza do mobíliario assinado por projetistas modernistas e o minimalismo das decorações. 

Relicário de Vóinha, Mangaba Estúdio. Bioma: Caatinga

Esse projeto como o próprio nome sugere, nasce da pessoa avó, muito presente não só na cultura sergipana, mas na cultura brasileira como um todo, o espaço resgata com nova roupagem uma estrutura das casas das memórias de infância, imergindo quem visita o espaço nesse aconchego composto de uma curadoria incrível de elementos e técnicas culturais que culminam essa estética final.

Ao fim, a Bienal de Arquitetura Brasileira se mostrou uma caixinha de (boas) surpresas, foi uma experiência muito enriquecedora e inspiradora para nós, poder conhecer o trabalho de tantos profissionais incríveis dessa forma tão cultural.

Fotos do artigo: Equipe Átrio Arch

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